terça-feira, 16 de março de 2010

Amantes




Dois amantes ditosos fazem um só pão,
uma só gota de lua na erva,
deixam andando duas sombras que se reúnem,
deixam um só sol vazio numa cama.


De todas as verdades escolheram o dia:
não se ataram com fios senão com um aroma,
e não despedaçaram a paz nem as palavras.
A ventura é uma torre transparente.

O ar, o vinho vão com os dois amantes,
a noite lhes oferta suas ditosas pétalas,
têm direito a todos os cravos.


Dois amantes felizes não têm fim nem morte,
nascem e morrem muitas vezes enquanto vivem,
têm da natureza a eternidade.

(Pablo Neruda - Cem Sonetos de Amor)
Sabe
Te encontrar era tudo o que eu queria...
Anos - passei sonhando com este momento!
Venha!
Sentemos naquela mesa.
Vamos tomar um sorvete?

Deixa eu pensar.
Deixa eu ver como te contar
Como me apaixonei por ti...

Foi assim....
Um dia passastes por mim,
Numa rua qualquer,
Numa esquina qualquer,
E a partir desse dia sigo teus passos!

Agora,
Preciso aproveitar este átimo de coragem
Esta chance que surge,
E dizer: te amo!

Não,
Não te assustes!
Não sou maluca!
Não vá! Espera!
Vamos até o jardim,
Vamos nos sentar aqui...
Ouça: Te amo!

Fica!
Fica comigo!
Se for um erro,
Eu repetiria!
Sem ti
Nestes anos ouvi apenas
O vazio de meus passos!




Quando eu lembro de ti
Fico sonhando acordado
Vejo você sorrindo
Sentando-se ao meu lado
Vejo as curvas do teu corpo
Por teu vestido colado

Sentados à beira de um lago
Ouvindo as aves cantar
E murmurando baixinho
Você fica a me beijar
E desse sonho de amor
Eu não quero despertar

Eu e você juntos
Ficamos nos abraçando
O sol ia descendo
A noite ia chegando
Você deitou-se em meu colo
E adormeceu cantando

Eu fiquei amaciando
O seu cabelo lindo
Loiro, macio e dourado
Como um anjo dormindo
Ela adormeceu cantando
Pra mim despertou sorrindo

Foram só lembranças
Do que entre nós passou
Os beijos que ela me deu
A minha mente gravou
Foi um momento tão lindo
Que o tempo nunca apagou

Eu fico a me perguntar
Sem ninguém me responder
Momentos inesquecíveis
Que pretendo reviver
Mas são apenas lembranças
Que não consigo esquecer.


Zé Bezerra o Águia de Prata
Publicado no Recanto das Letras em 24/02/2008
Código do texto: T873854
O AMOR

Pois tu possuis grande poder, oh amor, só tu pudeste trazer Deus do céu para a terra.

Oh! quão forte é o teu vínculo, com o qual até Deus pôde ser atado.

Tu o trouxeste, o prendeste em teus laços, o feriste com tuas setas...

Tu feriste o invunerável, prendeste o insuperável, atraíste o incomutável.

Tornaste mortal o Eterno...

Oh amor, quão grande é a tua Vitória!

Hugo de S. Vítor

A Bela Adormecida está morta



Entram pelas janelas heras e espinhos agudos.
Na penumbra apenas miragem
do que foi sonho.
Bela Adormecida está morta sem carruagem de abóbora quebrado o sapato de cristal o castelo encantado dissolve-se no silêncio.
O príncipe apaixonou-se pela bruxa quando a viu na capa da Playboy.
Depois arrancou o coração dele e o deu de comer ao dragão que tornou-se pedra e está no jardim central da cidade do faz-de-conta.
E foi-se a coragem de lutar a lembrança do beijo e do amor.
Bela a Adormecida está morta
sem fadinhas salvadoras sem final feliz. Só a roca do tempo gira fiando um sono eterno