sábado, 13 de agosto de 2011

Queria... Ângela Bretas




Queria...

Queria poder neste momento
Sentir seu cheiro
Seu gosto,
Seu corpo...
Queria fazer de você um brinquedo
Sem pressa
Sem receio
De que de mim partirias...
Queria ouvir sua voz
Me chamando
Falando e sussurrando
Segredos que só
Nós dois sabemos...
Queria esquecer do mundo
Por um momento apenas
Ser só você e eu
Sem ninguém mais além de nós...
Queria lhe dizer o quanto a saudade
Dói em meu peito
E que a realidade
De sentir sua falta me incomoda...
Queria ser o tempo
Parar de contar
Os segundos, minutos
Que estou longe de você...
Queria poder olhar em seus olhos
E ver o brilho
Que só eles possuem...
Queria ver seu sorriso
E imaginar que sua felicidade
Se relaciona comigo...
Queria ter a certeza
Que em seu pensamento
Há um espaço reservado
Para mim...
Queria lhe abraçar bem forte
E sentir sua força
Tomar conta de meu ser...
Queria ser tua
Só tua...
Sem culpa, sem medo
Simplesmente tua... 

Autoria: Ângela Bretas

Alvorada - Natalia Marchi


Parto de ti. Oh!  alvorada da minha alma.
Com cálices de dor em meus ombros.
Parto...
 Neste instante por um breve momento me recordo dos dias em teus braços cálidos.   
Oh! Parto neste momento de minha lucidez onde entorpeço minha alma de lembranças.
Ah! Sim parto em lágrimas de amor, rompo contigo minha flor da alma
Esta eterna namorada que tanto me consolou em dias tristes da minha vida.
Sim... Me vou a um entardecer triste e frio, onde lágrimas cantam minha dor da tua ausência
Meu destino vai compreender quando chegar o momento.
Minha alma com asas se estendem sobre luzes de outros tempos.
Oh! Minha alma sucumbida inerte por paixões que são o florescer do meu riso.   
Parto sem remorso por ter feito tudo que podia para acalmar tua alma.
Vive em ti todos os dias que você me permitiu entrar em teu coração duro e solitário.
Sim... parto sem deixar rastro e nem mesmo cicatrizes, pois nunca habitei tua morada.
Lágrimas são partes de uma despedida já marcada.
Sim... me vou e fecho os olhos para não me perder na imensidão que nunca me deixou conhecer.  
 Sim...parto na estrada encruzilhada de esquinas e becos onde jamais caminhei.
Caminho em lugares jamais vistos.   
Minha alvorada pálida sem vida em teu coração que se fechou para o mundo e vive o teu mundo escuro.
Sem risos e sabores. 
Por isto parto para viver meus amores.


domingo, 24 de julho de 2011

OBRIGADO!

O  bjetivamos sempre
B  uscar coisas agradáveis.
R  umamos por caminhos diversos...
I  nesquecíveis são os amigos...
G  rato estou
A todos que partilham esta minha jornada.
D  ividindo experiencias, tristezas e alegrias.
O  brigado!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Isso se chama amor...

Você surgiu como suave melodia trazida pela brisa; dilatou-se no silêncio de minha alma e fez-se moldura em meu viver.
Isso se chama ventura.
Há algo em você que transparece num olhar, como estrela no céu atapetado de astros e exterioriza-se num sorriso como canção tocada na harpa dos ventos.
Isso se chama ternura...
Sem olhar, você me percebe; sem falar, você me diz; sem me tocar, você me abraça...
Isso se chama sensibilidade.
Quando me perco em labirintos escuros, você me mostra o caminho de volta...
Quando exponho meus tantos defeitos, você faz de conta que não nota...
Se enlouqueço, você me devolve a razão...
Isso se chama compaixão.
Nos dias em que as horas passam lentas, sem graça e sem luz, nos seus braços eu encontro alento.
Quando os dias alegres de verão partem e em seu lugar chega o outono, cobrindo o chão com folhas secas, e o verde exuberante cede lugar ao cinza, nos seus braços encontro harmonia.
Isso se chama aconchego.
Quando você está longe, no espelho da saudade eu vejo refletida a certeza do reencontro.
Nas noites sem estrelas, quando a escuridão envolve tudo em seu manto negro, você me aponta a carruagem da madrugada, que vem despertar o dia com suas carícias de luz...
Isso se chama esperança.
Quando as marés dos problemas parecem tragar em suas ondas as minhas forças, em seus braços encontro reconforto.
Se as amarguras pairam sobre meus dias, trazendo desgosto e dor, sua presença me traz tranquilidade.
Você é um raio de sol, nos dias escuros...
É ave graciosa que enfeita a amplidão azul...
Você é alma e é coração.
É poema e é canção...
É ternura e dedicação...
Nada impõe, tudo compreende, tudo perdoa...
Sua companhia é doce melodia, é convite a viver...
... E tudo isso se chama amor!
Surge depois que as nuvens ilusórias da paixão se desvanecem.
Que a alma se mostra nua, sem enfeites, sem fantasias, sem máscaras...
Enfim, o amor é esse sentimento que brota todos os dias, como a flor que explode de um botão, ao mais sutil beijo do sol...
Isso, sim, se chama amor...
Redação do Momento Espírita.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Carta Aberta à Marina Silva por Maurício Abdalla

 “Marina, morena Marina, você se pintou” – diz a canção de Caymmi. Mas é provável, Marina, que pintaram você. Era a candidata ideal: mulher, militante, ecológica e socialmente comprometida com o “grito da Terra e o grito dos pobres”, como diz Leonardo. Dizem que escolheu o partido errado. Pode ser. Mas, por outro lado, o que é certo neste confuso tempo de partidos gelatinosos, de alianças surreais e de pragmatismo hiperbólico? Quem pode atirar a primeira pedra no que diz respeito a escolhas partidárias? Mas ainda assim, Marina, sua candidatura estava fadada a não decolar. Não pela causa que defende, não pela grandeza de sua figura. Mas pelo fato de que as verdadeiras causas que afetam a população do Brasil não interessam aos financiadores de campanha, às elites e aos seus meios de comunicação. A batalha não era para ser sua. Era de Dilma contra Serra. Do governo Lula contra o governo do PSDB/DEM. Assim decidiram as “famiglias” que controlam a informação no país. E elas não só decidiram quem iria duelar, mas também quiseram definir o vencedor. O Estadão dixit: Serra deve ser eleito. Mas a estratégia de reconduzir ao poder a velha aliança PSDB/DEM estava fazendo água. O povo insistia em confirmar não a sua preferência por Dilma, mas seu apreço pelo Lula. O que, é claro, se revertia em intenção de voto em sua candidata. Mas “os filhos das trevas são mais espertos do que os filhos da luz”. Sacaram da manga um ás escondido. Usar a Marina como trampolim para levar o tucano para o segundo turno e ganhar tempo para a guerra suja. Marina, você, cujo coração é vermelho e verde, foi pintada de azul. “Azul tucano”. Deram-lhe o espaço que sua causa nunca teve, que sua luta junto aos seringueiros e contra as elites rurais jamais alcançaria nos grandes meios de comunicação. A Globo nunca esteve ao seu lado. A Veja, a Folha e o Estadão jamais se preocuparam com a ecologia profunda. Eles sempre foram, e ainda são, seus e nossos inimigos viscerais. Mas a estratégia deu certo. Serra foi para o segundo turno, e a mídia não cansa de propagar a “vitória da Marina”. Não aceite esse presente de grego. Hão de descartá-la assim que você falar qual é exatamente a sua luta e contra quem ela se dirige.“Marina, você faça tudo, mas faça o favor”: não deixe que a pintem de azul tucano. Sua história não permite isso. E não deixe que seus eleitores se iludam acreditando que você está mais perto de Serra do que de Dilma. Que não pensem que sua luta pode torná-la neutra ou que pensem que para você “tanto faz”. Que os percalços e dificuldades que você teve no Governo Lula não a façam esquecer os 8 anos de FHC e os 500 anos de domínio absoluto da casa-grande no país cuja maioria vive na senzala. Não deixe que pintem “esse rosto que o povo gosta, que gosta e é só dele”.Dilma, admitamos, não é a candidata de nossos sonhos. Mas Serra o é de nossos mais terríveis pesadelos. Ajude-nos a enfrentá-lo. Você não precisa dos paparicos da elite brasileira e de seus meios de comunicação. “Marina, você já é bonita com o que Deus lhe deu”.








[1] Publicada em Portal Luis Nassif http://blogln.ning.com/profiles/blogs/carta-aberta-a-marina-silva[2] Professor de filosofia da UFES, autor de Iara e a Arca da Filosofia (Mercuryo Jovem), dentre outros. ES